Não é novidade para quem me
conhece que eu tenho uma verdadeira paixão por livros.
Procuro ler de tudo,
desde os clássicos da literatura até os best sellers, bons ou ruins, mais
comentados. E eu sou uma "devoradora de livros": quando começo a ler
um livro que me agrada, só sossego quando o termino, geralmente em poucos dias
ou em uma semana no máximo.

Entretanto, a minha última
leitura foi demasiadamente penosa parta mim. Demorei cerca de QUATRO meses para
conseguir terminar de ler "As Viagens de Gulliver" (Travels into
Several Remote Nations of the World, in Four Parts. By Lemuel Gulliver, First a
Surgeon, and then a Captain of several Ships), de Jonathan Swift. Parecia que
não terminava nunca! Não que o livro seja ruim - eu não me atreveria a afirmar
tal coisa -, mas ele é um tanto prolixo, demasiadamente descritivo e, portanto,
entediante. Ah! E não tem um único diálogo. Tá bom que é no estilo "diário
de viagem", mas...
"Keila, você
está falando de um livro do século XVIII! Lógico que ele tem um linguagem mais
difícil e é um pouco mais detalhista". Tá! Eu sei disso. Mas só comecei com esse livro porque achei o filme o máximo, cômico e ao mesmo tempo dramático, enfim já li
muitos outros livros tidos como clássicos da literatura que não foram tão
penosos de ler como esse foi.
Mas, vamos à história.
O livro, como o título sugere,
retrata as viagens de Lemuel Gulliver, cirurgião britânico que posteriormente
também se torna capitão de navio. Mas suas viagens não se restringem aos quatro
cantos do mundo já conhecidos. Ele sempre acaba sendo separado da tripulação e
aportando em um país totalmente desconhecido e diferente de tudo o que se
conhece.
Primeiro ele chega à terra dos
liliputianos, seres humanos em miniatura, em outra viagem vai a Brobdingnab,
terra dos gigantes. Na terceira, chega à Ilha volante, com seu habitantes
deformados, passando pela Ilha dos feiticeiros mágicos (ponto mais
interessante), por Luggnagg, onde tinha alguns habitantes imortais, e pelo
Japão. A última viagem foi ao país dos Houyhnhnms, onde os dotados de razão
eram os cavalos (ponto mais extraordinário do livro).
Então vai o meu principal
problema com o livro: o cara é um verdadeiro mau agouro para viagens. Suas
embarcações sempre acabam naufragando, sendo roubadas e, por último, há um
complô no qual ele é expulso do navio. E ele continua insistindo em viajar.
Mesmo passando meses, anos em terras estranhas e deixando a sua família ao
relento (por que ele tem esposa e filhos). Ele volta de uma viagem de cinco
anos, passa uma semana em casa, engravida a esposa e vai embora.
Mas até aí, tudo bem. O problema
é a incrível subserviência que ele tem com os povos descobertos, reduzindo-se
de imediato a súdito TOTALMENTE submisso a não importa que tipo de povo,
insistindo em chamar "seus donos" de "amo". Alguma
submissão pode até ser necessária para sobreviver, mas a do personagem é
extrema, exagerada e irritante.
Agora, o que me fez continuar a
ler o livro: Swift usa o contato de Gulliver com os diferentes povos para fazer
uma análise/crítica da sociedade e instituições britânicas (universal) e até
sobre a História e os seres humanos. Ele denuncia, de forma até irônica, as
corrupções, falhas, comportamentos de seu país natal e de sua gente mostrando,
através dessas novas sociedades, que "menos é mais". O mundo
"moderno" é tão cheio de regras para funcionar que não percebe que
elas só o fazem desandar. O personagem acaba chegando ao ponto de, decepcionado
com a sua própria espécie, preferir viver com os houyhnhnms ou totalmente recluso
a ter que voltar a viver e ser influenciado pelos yahoos (tipos humanoides do
país dos houyhnhnms - Gulliver passa a utilizar o termo para se referir a
qualquer tipo de ser humano). Exagerado? Completamente. Mas faz sentido a
partir do momento que se abre os olhos para todas as mazelas antes obscurecidas
pelo costume e se tem contato com uma sociedade mais verdadeira, justa e
funcional.
De qualquer forma, estou
satisfeita de ter me obrigado a terminar de ler o livro. Não é uma das leituras
mais agradáveis, mas nem tudo o que é agradável pode ser considerado bom (se é
que você me entende), e vice-e-versa.
E, como o post já está demasiadamente
longo, é melhor parar por aqui... Então, até o próximo post!
BjK

P. S. Keila F.