Ah, o amor! Sentimento mais lindo que existe e que move o mundo em todos os sentidos. O amor é um sentimento de carinho e demostração de afeto que se desenvolve entre seres humanos e outras espécies. Ou como diz Camões:
"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
Amar realmente é um grande risco que corremos. Podemos jurar
amor eterno hoje, acreditar que é pra sempre e amanhã tudo pode acabar: a
pessoa pode deixar de te amar, pode deixar este mundo...
Não há garantia alguma e isso por vezes nos apavora. Algumas
vezes, em resposta, criamos armaduras e não nos deixamos envolver. Outras,
mesmo nos envolvendo, alimentamos a ilusão que podemos controlar este risco e
passamos então a querer controlar o outro. É como se, de alguma forma, ao
controlarmos as ações do outro conseguiremos controlar seus sentimentos e
vontades. Quanta utopia...
Sempre fiquei impressionada como todas as pessoas são
vulneráveis quando o assunto é amor. Até mesmo algumas que considero mais
maduras e serenas se comportam de forma surpreendente quando o assunto é o
relacionamento amoroso. Enfatizo aqui o amor romântico entre um casal, porque
talvez seja onde estes medos e inseguranças se manifestem de forma mais
intensa, contudo, acredito que nosso comportamento pode ser bem semelhante
quando se trata de outros relacionamentos, como as amizades, relações entre
pais e filhos, etc.
Muitas vezes, a necessidade de se ter controle e segurança
nos faz agir de maneira impulsiva e incoerente. O fato de querer garantir que o
outro nos ame sempre e para sempre nos faz perder a magia e a leveza que o amor
pode nos oferecer.
Quando que me pego tentando controlar o outro, tento
decodificar este sentimento para poder transformá-lo. Em primeiro lugar, é
necessário se colocar em posição de igualdade em relação ao outro. Se sentir
digno do amor que recebemos é essencial para retribuirmos com a mesma pureza e
genuinidade. A culpa, se sentir pior que o outro, não merecedor deste amor, não
irá nos fazer pessoas melhores e nem nos fará agir de modo melhor. Pelo
contrário, só causará mais conflitos e nos levará a mais ações que boicotem
nosso bem estar e felicidade, gerando consequências diretas na outra pessoa.
Também é importante notar se não estamos nos sentido superiores de alguma
forma, pois se assim o fizermos, iremos manifestar isso em nosso comportamento
e mais uma vez será impossível atingir um estado de ternura e afeto mútuo.
Além disso, não devemos entender como sinal de rejeição
qualquer atitude do outro que é diferente daquilo que esperávamos. – afinal, como pensamos que podemos controlar
tudo, temos predefinida a listinha de “reações esperadas”. O outro, assim como
nós, é um ser humano complexo e que possui questões e angustias próprias.
Devemos exigir respeito sempre, não devemos nos rebaixar ou nos deixar ser
agredidos. Porém existe uma distância enorme entre uma agressão e um
comportamento que não é exatamente o que esperávamos.
Por último, e quem sabe a parte mais importante deste
exercício pessoal, é preciso encarar os fatos. Realmente não há garantias. Tudo
pode dar errado. E ai? Não vale a pena amar e ser amado? Claro que vale.
Vivemos envolvidos na “cultura da vitória”. Algo só compensa quando um padrão
estabelecido de sucesso é alcançado. Se lutarmos e falharmos é nos dado um
titulo oficial de perdedor, de coitado. No entanto é preciso ter coragem para viver sob incertezas. O
processo de nos entregar e conseguir amar com plenitude requer perceber que ser
feliz não é uma questão de controle. Passa-se muito mais por aceitar a falta
dele.
Provavelmente, nunca aprenderemos a lição de forma completa
e definitiva. O amor será sempre um constante recomeço repleto de descobertas,
e, acima de tudo, será sempre um risco a ser corrido... Mas fico me perguntando... "Existe algo neste mundo que nos torna mais humanos que sonhar e se deliciar
com essa face desconhecida do amor?", Não consigo imaginar. Amar é ser humano.
P. S. Keila F.


Nenhum comentário:
Postar um comentário